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Geografia do Silêncio

  • Foto do escritor: Natércia Godinho
    Natércia Godinho
  • 21 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura

O silêncio revela-se de muitas formas.


No sul, chega com o cheiro do mar e uma luz azul, límpida, que embala a pele e os olhos. No norte, pesa no ar, atravessado pela cinza e pelo fogo, lembrando-nos da fragilidade de tudo o que existe.


E, no entanto, é precisamente onde a vida parece mais ameaçada que descubro a sua maior força: a capacidade de nos darmos uns aos outros. Talvez seja esse o gesto mais antigo da sobrevivência.


Percebo então que nunca caminhamos verdadeiramente sós. A montanha, imóvel, observa-me. Conta-me histórias de fadas e de magia, como quem recorda que o invisível também sustenta o mundo. O lago, em silêncio, recolhe cada gota humana e transforma dor em coragem, medo em impulso.


É nesse instante que compreendo: a vida torna-se extraordinária quando ousamos saltar para o desconhecido... e confiamos que ele também sabe caminhar ao nosso encontro.



Albufeira de Santa Luzia, Pampilhosa da Serra

 
 
 

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