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Aquilo Que O Fogo Não Levou

  • Foto do escritor: Natércia Godinho
    Natércia Godinho
  • 10 de mai.
  • 1 min de leitura

Faz hoje cinco anos que o corpo do meu pai virou cinza.

Cinza.

Palavra pequena para alguém que ocupava tanto espaço dentro de nós.

Lembro-me da harpa. Do violino. Das mãos quietas. Do silêncio pesado, enraizado na sala como uma árvore de outros tempos.

Tentámos despedir-nos com beleza, talvez porque o amor também precise de rituais quando não sabe onde pousar.

Há datas que não passam.

Mudam apenas de lugar dentro do corpo.

Hoje não escrevo sobre o fim.

Escrevo sobre permanência.

Sobre aquilo que continua a respirar em nós mesmo depois do fogo.




 
 
 

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