Vai
- Natércia Godinho

- 7 de out. de 2025
- 1 min de leitura
Mostrei-me, e tu viste.
Não com os olhos — mas com o coração aberto,
de quem reconhece o outro antes das palavras.
Era verão, e eu levava apenas uma mala,
um medo pequeno, e uma esperança imensa.
Não me perguntaste porquê,
nem o que deixava para trás.
Apenas disseste: vai.
E nesse vai cabia o mundo inteiro,
um bilhete, um passaporte,
e algo maior: a fé silenciosa em mim.
Zéfiro de amizade antiga,
sopraste liberdade sem saber.
Nenhum discurso, nenhuma promessa
apenas a leveza de quem dá porque sente.
E por onde vou, levo esse gesto,
como quem carrega luz num bolso.
Se hoje escrevo,
é porque continuo a ouvir o teu “vai”
a sussurrar-me coragem
em cada começo.




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